As Rotatórias e o Brasil

Rotatórias são um excelente meio de disciplinar o trânsito em cruzamentos complexos, mas seu uso vem sedo mal aplicado o que poderá fazer com que elas acabem sendo banidas do nosso trânsito por ineficazes.

O Código de Trânsito Brasileiro fala muito pouco sobre rotatórias, mas no Capítulo III, artigo 29, diz:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação

obedecerá às seguintes normas:

I – ……….

II – ………..

III – quando veículos, transitando por fluxos que se cruzem, se

aproximarem de local não sinalizado, terá preferência de passagem:

a) no caso de apenas um fluxo ser proveniente de rodovia, aquele

que estiver circulando por ela;

b) no caso de rotatória, aquele que estiver circulando por ela;

c) nos demais casos, o que vier pela direita do condutor;

IV-…………

Não sei onde surgiram as rotatórias, mas evidentemente não são uma tradição brasileira, pelo contrário, aqui são bem recentes e ainda não foram bem compreendidas e assimiladas pelos motoristas, pelos pedestres nem tão pouco pelas autoridades responsáveis pelo trânsito.

A regra da rotatória é esta: tem preferência aquele que estiver circulando por ela. Regra? Pode ser a regra na Europa, mas aqui tenho minhas dúvidas. Uma regra é regra ou porque está escrita ou porque foi estabelecida pelos usos e costumes. Esta está escrita da forma como mostrei acima, muito débil, quase casual, inserida num contexto maior, assim como quem não quer nada.

Os usos e costumes, por outro lado, ainda não se firmaram e, do jeito que estão sendo feitas as coisas, é difícil que se firmem.

Vejam bem: tem preferência aquele que estiver circulando pela rotatória. Circulando. Para algum carro estar circulando pela rotatória ela tem que ter, no mínimo, tamanho para isto. Não basta fazer um canteiro redondo no meio de um cruzamento e dizer que aquilo é uma rotatória porque não é. O conceito já não está bem assimilado e ainda vem a dúvida sobre quem está e quem não está na rotatória e, portanto, tem a preferência. Valha-me Deus!

E não estou me referindo apenas aos canteiros redondos no meio de cruzamentos, quero enquadrar aqui todas as rotatórias pequenas e as que tenham pelo menos uma passagem direta, aquelas que permitem passar pela rotatória sem precisar “entrar” nela porque também contribuem para o esvaziamento do conceito.

Recentemente retiraram uma rotatória importante de Porto Alegre sob o argumento de que não funcionava, congestionava o trânsito e era grande o número de acidentes, inclusive atropelamentos. Substituíram-na por um complexo de semáforos de três e quatro tempos. Melhorou? Dizem que sim, tenho minhas dúvidas. O fluxo nas piores horas melhorou um pouco, mas nem todas as direções estão atendidas, pois restaram manobras que hoje são proibidas. Quer dizer, estão comparando duas coisas diferentes.

Existem outras, e não são poucas, em que a regra geral da preferência não vale. A regra não é obrigatória como ressalva o próprio artigo 29 citado acima dizendo “quando se aproximarem de local não sinalizado”, mas por uma questão de coerência, pelo menos nesta fase inicial, onde há rotatória o preceito deveria ser seguido, entretanto existem muitas com semáforo e onde a preferência não é atribuída a quem está circulando por ela. Isto só serve para gerar confusão.

Não vai demorar muito para chegarem à conclusão de que rotatória não funciona no Brasil. Vão, mais uma vez, dizer que o motorista brasileiro é muito indisciplinado, que aqui nada que é civilizado funciona, que a única coisa que dá certo (e não dá!) é reduzir os limites de velocidade e obrigar esta turma de “celerados” a andar a 40 km/h mexendo no órgão mais sensível do corpo humano que é o bolso e etc. Este filme já vimos.

Quando, amanhã ou depois, começarem a substituir as rotatórias existentes por outro tipo de solução, gastando fortunas do dinheiro público em obras inúteis, não venham dizer que é porque o motorista brasileiro é indisciplinado e….

Esta é a minha opinião.

* A imagem é da Rotatória Mágica de Swindon, na Inglaterra. Imagina uma dessas no Brasil!

Gostou deste artigo? Veja mais como estes curtindo nossa página no Facebook:

Uma resposta para “As Rotatórias e o Brasil”

  1. adri disse:

    ve a nova ferari

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *